Vegetação nativa do Brasil cai de 79% para 65% do território em 40 anos, aponta MapBiomas
Levantamento da Coleção 11 mostra que agropecuária avançou sobre áreas de vegetação nativa entre 1985 e 2025

Segundo a Coleção 11 do MapBiomas, a vegetação nativa ocupava 79% do território brasileiro em 1985 e passou a ocupar 65% em 2025, uma redução de 14 pontos percentuais em 41 anos. A formação florestal foi a que mais perdeu área no período, com redução de 65 milhões de hectares, seguida pelas formações savânicas, com 46 milhões de hectares, e pelos campos alagados, com 6,3 milhões de hectares. Proporcionalmente, no entanto, as formações savânicas foram as mais afetadas, perdendo cerca de 30% de sua área original.
Agropecuária quase dobrou de tamanho no período
A área ocupada pela agropecuária passou de 18% do território nacional em 1985 para 32% em 2025. A expansão ocorreu principalmente sobre regiões antes cobertas por vegetação nativa. Nesse período, as pastagens aumentaram 61,6 milhões de hectares, enquanto a agricultura cresceu 48 milhões de hectares.
Amazônia e Cerrado concentram maiores perdas por bioma
Em área absoluta, a Amazônia foi o bioma que mais perdeu vegetação nativa, com redução de 53,9 milhões de hectares, seguida pelo Cerrado, com 51,7 milhões de hectares. A Caatinga perdeu 10,1 milhões de hectares, a Mata Atlântica, 4,9 milhões de hectares, o Pampa, 4 milhões de hectares, e o Pantanal, 1,9 milhão de hectares.
Proporcionalmente, porém, as maiores perdas ocorreram no Cerrado, com redução de 34%, e no Pampa, com 32%.
Estudo cruza dados de uso da terra com efeitos do El Niño
O levantamento cruzou os mapas de uso da terra com dados climáticos para analisar os efeitos do El Niño, com foco nos episódios de 1997/98, 2015/16 e 2023/24. Durante os eventos mais intensos, a maioria dos biomas registrou secas e redução das chuvas, com exceção do Pampa e de parte da Mata Atlântica, que tiveram aumento da precipitação. Segundo o estudo, áreas que mantiveram suas florestas preservadas sofreram menos impactos do fenômeno.
A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três episódios analisados. Em 2023/24, áreas de agropecuária na região tiveram redução de aproximadamente 178 mm de chuva em relação à média histórica. O Pantanal registrou seu ano mais seco da série histórica em 2024, enquanto no Cerrado e no norte da Mata Atlântica a intensidade das secas aumentou a cada novo episódio de El Niño. Já o Pampa seguiu um padrão contrário aos demais biomas, sofrendo principalmente com excesso de chuva nos dois últimos episódios.
Entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal reduziram a proporção de vegetação nativa em seus territórios. O Rio de Janeiro foi a única exceção, recuperando cerca de 1% de sua cobertura vegetal no período. As maiores reduções proporcionais ocorreram em Rondônia, que passou de 92% para 59% de cobertura nativa, Maranhão, de 91% para 61%, e Mato Grosso e Tocantins, ambos de 90% para 61%.
Mata Atlântica mostra sinais de recuperação
A perda de vegetação nativa na Mata Atlântica foi menor que em outros biomas porque a região já havia sofrido forte redução em períodos anteriores. Nos últimos 20 anos, o levantamento identificou uma tendência de estabilização e, em algumas áreas, recuperação da vegetação nativa, especialmente das florestas.
Estudo mapeia marismas pela primeira vez
Pela primeira vez, o MapBiomas mapeou as marismas do país, ainda em versão beta. Trata-se de áreas pantanosas influenciadas por água salobra, geralmente localizadas próximas a estuários. Em 2025, foram identificados 6,9 mil hectares desse tipo de formação, exclusivamente no Pampa, em regiões como as Lagoas Tramandaí-Armazém, a Lagoa do Peixe, a Laguna dos Patos e a foz do Arroio Chuí.
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12 Agosto 2026