Brasil apresenta proposta para recuperar 163 mil km² de terras degradadas até 2030 na COP17

Meta elogiada pela ONU integra compromisso de Neutralidade da Degradação da Terra assumido por mais de 130 países

Brasil apresenta proposta para recuperar 163 mil km² de terras degradadas até 2030 na COP17

O governo brasileiro pretende restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030. A meta foi elogiada pela ONU e por organizações da sociedade civil, mas também gerou cobranças para que seja efetivamente cumprida ao longo dos próximos anos.

A iniciativa faz parte das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), compromisso voluntário assumido por mais de 130 países ao redor do mundo.

Como o Brasil pretende cumprir a meta

O plano brasileiro prevê a recuperação da vegetação nativa e a expansão de sistemas agroflorestais, com ações concentradas em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas. Também estão previstas ações de prevenção, conservação e manejo sustentável em outros 3,51 milhões de km².

Somando as áreas de restauração e conservação, a meta oficial do país chega a 3,67 milhões de km² de terras sob algum tipo de intervenção até 2030.

O ano de referência para medir a neutralidade

O Brasil utiliza 2020 como ano de referência para calcular o cumprimento da meta. Naquele ano, o país tinha 55,7 milhões de hectares com tendência de degradação. Para alcançar a neutralidade até 2030, o Brasil precisa terminar o período com, no máximo, esse mesmo nível de degradação registrado em 2020.

As cobranças de organizações ambientais

Apesar dos elogios à ambição da meta, organizações ambientais apontam a necessidade de transformá-la em resultados concretos. A WWF considera o objetivo ambicioso, mas defende que ele integre conservação, restauração, recuperação da produtividade, manejo sustentável do solo e transformação dos sistemas agrícolas, além de incluir as populações que dependem dessas terras.

Já a Rede para Restauração da Caatinga defende que a sociedade monitore e fiscalize o cumprimento da meta ano a ano. O Instituto Escolhas, por sua vez, critica o atraso de 11 anos na apresentação da meta pelo governo brasileiro e defende maior estrutura administrativa, mais recursos orçamentários, regulamentação da Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga e criação de uma estrutura específica para recuperação do bioma e combate à desertificação.

Caatinga ganha destaque em articulação internacional

Os nove estados do Nordeste, reunidos no Consórcio Nordeste, apresentaram projetos de recuperação da Caatinga durante a COP17. Na ocasião, o Consórcio assinou um memorando de entendimento com a UNCCD, órgão da ONU responsável pelo combate à desertificação.

O objetivo do acordo é ampliar a cooperação técnica, o acesso a metodologias internacionais, os investimentos no semiárido e a participação do Nordeste em redes globais de regiões secas.

Noticias(d)

31 Agosto 2026