Após meses de ataques, ex-ministro desiste do Senado e agora apoia rival "típico do centrão"

Acordo com governador levou Salles a declarar apoio a adversários que criticava desde a pré-campanha

Após meses de ataques, ex-ministro desiste do Senado e agora apoia rival "típico do centrão"

Apesar de ter desistido da própria candidatura ao Senado por São Paulo, o deputado federal Ricardo Salles (Novo) teve uma campanha marcada por polêmicas, farpas e ataques aos adversários, sobretudo a André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Agora, o ex-ministro apoia o até então principal adversário.

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24/9) mostrou Salles em quinto lugar na corrida eleitoral para senador em São Paulo. Ele detinha 4% das intenções de voto.

Marina Silva (Rede) registrou 15% das intenções, enquanto Simone Tebet (PSD) tinha 14%. Já André e Guilherme Derrite (PP) marcavam, igualmente, 12%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo, os quatro estavam tecnicamente empatados no cenário estipulado.

Ainda durante a pré-campanha, Salles sustentou que André não seria um legítimo representante da direita. “Me perguntaram por que o PL escolheu o André do Prado e não eu. A resposta é direta: o André nunca foi, não é e nunca será um candidato de direita”, disse em vídeo.

“Pediu voto pra Dilma em 2010. Apoiou todas as medidas restritivas do Doria na pandemia. É pupilo do Valdemar [Costa Neto, presidente do PL] — e acabou de prêmio de consolação no Senado depois que o Tarcísio recusou ele de vice. A direita de verdade não se curva a esse jogo. Comigo, o que é certo é certo. O errado é errado”, disparou Salles sobre André.


Depois, em outro post, o então pré-candidato do Novo chegou a dizer que “não pode o maior colégio eleitoral votar no André do Prado”, em referência a São Paulo.

As acusações e polêmicas perduraram toda a campanha. Salles disparou diversas vezes contra os adversários e poupou apenas Guilherme Derrite. Em entrevista ao Metrópoles, por exemplo, Salles acusou André de ter mantido um estuprador como chefe de gabinete.

Na ocasião, o ex-ministro também chamou André de “cria do Valdemar da Costa Neto [presidente do PL]” e “candidato típico do Centrão”. “Se juntou com o PT para ser presidente da Assembleia Legislativa. Ou seja, se tem uma coisa que ele não é, é direita ou conservador. Esteve sempre e continua estando de mão dada com o PT”, apontou.

Além disso, no último debate que participaram, no dia 23 deste mês, Salles e André também protagonizaram momentos de tensão. O ex-ministro disse que André do Prado é uma “marionete do Valdemar Costa Neto”, “conhecido no Brasil como uma das pessoas mais corruptas da política brasileira”. André do Prado rebateu argumentando que é “ficha limpa”, enquanto Salles é réu no STF [por supostamente beneficicar contrabando de madeira].

A treta foi parar até na Justiça. Em agosto, por exemplo, o TRE-SP aplicou duas multas no valor de R$ 5 mil a Salles por propaganda eleitoral antecipada e por impulsionamento de conteúdo negativo contra André do Prado. Em seguida, a Justiça Eleitoral determinou a remoção de mais um post do ex-ministro com críticas ao presidente da Alesp.

Salles desiste de candidatura ao Senado após acordo com Tarcísio

O deputado federal Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado por São Paulo. O anúncio foi feito durante agenda com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta segunda-feira (28/9). O próprio Salles confirmou a informação ao Metrópoles.

A decisão foi comunicada após reunião com o governador no comitê de campanha de Tarcísio e faz parte de acordo para favorecer as candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para conquistar as duas vagas em disputa. Os candidatos também participaram.

“Nós estamos em um momento muito difícil para o país, um risco enorme de nós continuarmos nesse projeto extremamente equivocado que está nos levando para o buraco. Aqui em São Paulo, graças à liderança do governador Tarcísio, nós estamos relativamente confortáveis com uma grande possibilidade, creio eu, de vencermos no primeiro turno”, afirmou Ricardo Salles.

“O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado […]. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, disse Salles.


O governador enalteceu a decisão: “Hoje a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada […] dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar”.


Fonte: Metrópoles (Gabrielle Gonçalves, Rebeca Ligabue)

Noticias(d)

30 Septiembre 2026